sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Inclusão na medida certa...Associação Nova Projeto

Hoje recebemos a visita de um jovem com necessidades especiais, prefiro usar essa terminologia, que retrata mais fielmente a sua forma de ser. Fez o curso de capacitação profissional na nossa entidade em 2005. Destacou-se do grupo e foi convidado a fazer um estágio na empresa que custeia nosso programa. Ao terminar o estágio foi encaminhado para uma vaga em um conceituado clube esportivo para a função de serviços internos de escritório e durante dois anos esforçou-se o quanto pode para cumprir com suas obrigações. Contudo desde que começou a trabalhar embora fizesse com responsabilidade as tarefas, foi alvo de brincadeiras de mau gosto constante dos colegas de trabalho. Revoltado e não aguentando a pressão pediu demissão. O gerente responsável pelo setor fez de tudo para que ele não saísse, inclusive ofereceu aumento de salário. Porém o clima já não dava para ele voltar atrás. Depois dessa experiência negativa o jovem caiu em grande depressão. Procurava emprego e nada dava certo. Foi um longo período de recuperação. Agora veio nos visitar para contar como está feliz. Foi admitido no programa de qualificação profissinal para pessoas com necessidades especiais da Febraban ( Federação Brasileira de Bancos). Já está empregado, frequentando o curso de treinamento para uma vaga em banco. Salário bom, cesta básica, vale refeição, e um bom convenio médico. O treinamento é de seis meses e segundo nos contou, bem difícil. Estuda quando chega em casa para se sair bem nas provas mensais. Parece certo que após esse período vai assumir um posto de trabalho no banco. Existe realmente o investimento da Febraban na qualificação profissional dos candidatos especiais. Espero sinceramente que esse programa se estenda ao preparo dos funcionários das empresas que irão acolhe-los. Tenho sempre uma questão quando a inclusão não dá certo: é o especial que não corresponde as tarefas que estão sob a sua responsabilidade, ou são as pessoas que não estão preparadas para conviver com as diferenças?
Raphaela Viggiani Coutinho

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Tecendo e criando - Associação Nova Projeto




















Trabalho feito com tear manual. O Eder é especialista nesse trabalho. Está fazendo um caminho de mesa. Todos os alunos que frequentam nossas oficinas se empenham nas técnicas que aprenderam melhor. Estão preparando os trabalhos para exposição no nosso bazar do final de ano.















Esse é um tear feito com preguinhos. São de vários tamanhos. Começamos pelos menores para os alunos aprenderem. Alguns se deram bem e gostaram tanto que nos intervalos ficam fazendo. Os trabalhos ficam bonitos e vários alunos já dominam a técnica. Exige habilidade para montar os pontos e tecer mas as peças ficam bonitas e o trabalho rende. Possibilita variação de pontos e combinação de cores.















Cada aluno tem uma preferência e uma especialidade. Os pingentes para cortinas é uma escolha das meninas. Cada peça é de criação livre e o resultado é bem decorativo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ao mesmo tempo que protege desampara- Associação Nova Projeto

Nesse ultimo mês fui obrigada a rever a minha linha de conduta com relação à orientação que presto às famílias de pessoas com deficiência intelectual. Sempre considerei que uma pessoa com qualquer deficiência deve ter um atendimento diferenciado. Deficiências visuais, deficiências física, deficiências auditivas e deficiências intelectuais, em cada um dos aspectos, necessitam de apoios diferentes e adaptações diversas. As deficiências intelectuais, que nem sempre podem ser diagnosticadas visualmente, necessitam de laudo médico que as ateste, de importância fundamental. Eu pensava ser o laudo médico não só uma forma de proteção pessoal, mas também um recurso para acesso aos benefícios como bilhete de transporte especial, LOAS e cotas de emprego (Lei n.8.213/91). Aos mais independentes eu alertava para que, no caso de serem parados por policiais, exibissem o bilhete especial para transporte, pois estava certa de que agindo dessa forma eles receberiam atenção diferenciada. Essa era a minha orientação, porém recentemente, conversando com a mãe de jovem com deficiência que freqüenta a nossa escola, ela me disse orientar a filha a ser discreta e não exibir o bilhete especial porque corre o risco de ser molestada, por identificarem a deficiência e abusarem da ingenuidade dela. É incrível, mas não fica só nisso. Há uns dias atrás fiquei sabendo sobre um jovem com deficiência intelectual que cometeu um roubo e foi preso. A mãe foi à delegacia e explicou ao delegado que o filho era especial e que provavelmente alguém o havia usado para cometer o delito. Comprovou com laudo médico da APAE a deficiência do filho, mostrou o pedido de interdição já correndo na justiça, argumentou, suplicou, porém nada adiantou. O rapaz foi preso sem qualquer tratamento diferenciado. Sem recursos, a mãe apelou para a Defensoria Pública. Contudo não conseguiu evitar que ele fosse transferido para Centro de Detenção Provisória. Chamada pelo advogado que então contratou, levou consigo todos os laudos médicos que comprovam a deficiência, o processo de interdição receitas médicas, enfim, o que conseguiu juntar. Qual não foi a surpresa quando o advogado explicou que se colocasse essa documentação no processo do rapaz, deficiente intelectual, ele corria o risco de ser julgado como doente mental e internado em hospital psiquiátrico. Neste caso para sair de lá seria bem mais difícil. Na verdade, quase impossível. Essa argumentação foi confirmada por outros advogados que consultamos. Solicitada a liberdade provisória, o Juiz não autorizou. O rapaz está preso há quase 30 dias. Agora vai a julgamento.

"Com pedaços de mim eu monto um ser atônito!" ( Manoel de Barros )

Raphaela Coutinho

sábado, 24 de setembro de 2011

Jovens com deficiência intelectual concluem curso de capacitação profissional. - Associação Nova Projeto






























No dia 16 de setembro de 2011 foi realizada no auditório da GS1 Brasil a cerimonia de entrega de certificados de conclusão dos cursos de Práticas Administrativas e do Varejo para mais um grupo de alunos da Associação Nova Projeto. Foi uma tarde de grandes emoções para alunos, familiares, professores e profissionais da GS1 Brasil. Um programa que teve inicio em 2003 e vem cumprindo com sucesso a proposta de qualificar a pessoa com necessidades especiais para a inclusão no mercado de trabalho.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Benefício LOAS - BPC - Quem recebe poderá trabalhar - Associação Nova Projeto

Pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) poderão tentar o mercado de trabalho sem perder o benefício. A presidenta Dilma Rousseff sancionou, nesta quinta-feira (1º), conforme publicado no Diário Oficial da União, projeto de lei que altera a Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), muda a definição conceitual de pessoa com deficiência e amplia a possibilidade de inclusão profissional desse público.
Antes, a pessoa com deficiência perdia o benefício caso tivesse atividade remunerada, inclusive como microempreendedor individual. A partir de agora, o beneficiário pode ingressar no mercado de trabalho e ter o benefício suspenso temporariamente. Se nesse período o beneficiário não conseguir se manter no trabalho ou não adquirir o direito a outro benefício previdenciário, ele retorna ao BPC sem precisar passar pelo processo de requerimento ou de avaliação da deficiência e do grau de impedimento pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O período de suspensão não é determinado pela lei, mas o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), responsável pela gestão do BPC, proporá ao Legislativo que seja de dois anos. Embora operacionalizado pelo INSS, o BPC não é pensão vitalícia nem aposentadoria. Os beneficiários passam por revisão do INSS a cada dois anos.


Comentário

Finalmente o Benefício de Prestação Continuada, BCP deixa de ser um impedimento para a inclusão da pessoas com deficiência no mercado de trabalho.Pessoas de baixa renda já não precisam arriscar perder esse benefício pela incerteza de permanecer no emprego. Para nós que desenvolvemos programas de capacitação profissional com o objetivo de incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho é uma notícia excelente. Não mais teremos esse empecilho que diariamente nos deixava inseguras na orientação as famílias. Para os deficientes um obstáculo a menos a ser enfrentado.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Rítmo do coração - Associação Nova Projeto


















Todas as sextas feiras o professor Oscar desenvolve com os alunos a oficina de capoeira.As aulas se dividem em condicionamento físico, capoeira e musicas regionais. São acompanhadas de muito rítmo e de cantigas regionais puxadas pelo professor e entoadas pelos alunos.Essas fotos retratam o envolvimento dos participantes. É uma parceria que temos com as Oficinas Culturais da Secretaria Estadual da Cultura.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

20 anos da lei de cotas - Associação Nova Projeto

















Nosso aluno fala sobre a importância da higiene na saúde.
curso de capacitação profissional - junho 2011


A lei de cotas nº8.213 criada em 1991 e regulamentada por decreto em 1999 completa neste mês 20 anos. Essa lei proporcionou uma mudança significativa na vida de muitas pessoas com deficiência. As empresas com mais de 100 funcionários passaram a ser obrigadas a reservar 2% a 5% das suas vagas para pessoas com deficiência. A oportunidade de trabalho para essa parcela da população até então excluída do processo produtivo é um ganho para a pessoa especial e para a sociedade que se torna mais inclusiva e mais humana.
Ainda temos um longo caminho a percorrer. Os obstáculos são grandes e estão sendo enfrentados pouco a pouco. Muitas empresas cumprem as cotas para não serem penalizadas contudo estão longe de proporcionar um ambiente inclusivo para seus funcionários.Outras que adotam uma filosofia de responsabilidade social se preocupam em oferecer um programa dentro da empresa que acolhe e integra no ambiente de trabalho seja na adaptação de espaços, na compra de equipamentos ou de apoio quando necessário. Esses cuidados são importantes para essas contratações. Contribuem para o sucesso dessa mão de obra. Estamos neste momento enfrentando uma situação de excesso de vagas para a pessoa com deficiência. Se por um lado é para comemorar por outro preocupa. As contratações são feitas de forma imediatista sem planejamento. Diariamente somos procuradas pelo setor RH das empresas que solicitam indicação de candidatos, sempre com urgência. Estão sendo penalizadas, com multas pesadas e precisam cumprir as cotas de imediato. Essa mão de obra é contratada sem a devida qualificação e na maioria das vezes não permanece no emprego após o período de experiência.
São pessoas que pelas limitações pessoais não conseguiram adquirir uma escolaridade básica nem estão preparadas para exercer um trabalho formal.
Os cursos de capacitação profissional se devidamente valorizados pelas empresas, poderão suprir a falta de qualificação dessas pessoas. Quando fico sabendo do alto valor das multas que as empresas estão pagando por não cumprirem o percentual de cotas devido, considero como seria mais produtivo se investissem em cursos profissionalizantes.
Contudo a importância da lei de cotas na construção de uma sociedade mais justa e mais humana é indicutivel. Alertou os diversos setores da sociedade sobre a injustiça social que estava sendo cometida contra essa parcela da população. Quero acreditar que no futuro não será necessário a cobrança de cotas para a inclusão do deficiente nos diversos setores da sociedade. As diferenças individuais serão respeitadas uma vez que essa é a característica do ser humano.
Raphaela Viggiani Coutinho