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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Inclusão na medida certa...Associação Nova Projeto

Hoje recebemos a visita de um jovem com necessidades especiais, prefiro usar essa terminologia, que retrata mais fielmente a sua forma de ser. Fez o curso de capacitação profissional na nossa entidade em 2005. Destacou-se do grupo e foi convidado a fazer um estágio na empresa que custeia nosso programa. Ao terminar o estágio foi encaminhado para uma vaga em um conceituado clube esportivo para a função de serviços internos de escritório e durante dois anos esforçou-se o quanto pode para cumprir com suas obrigações. Contudo desde que começou a trabalhar embora fizesse com responsabilidade as tarefas, foi alvo de brincadeiras de mau gosto constante dos colegas de trabalho. Revoltado e não aguentando a pressão pediu demissão. O gerente responsável pelo setor fez de tudo para que ele não saísse, inclusive ofereceu aumento de salário. Porém o clima já não dava para ele voltar atrás. Depois dessa experiência negativa o jovem caiu em grande depressão. Procurava emprego e nada dava certo. Foi um longo período de recuperação. Agora veio nos visitar para contar como está feliz. Foi admitido no programa de qualificação profissinal para pessoas com necessidades especiais da Febraban ( Federação Brasileira de Bancos). Já está empregado, frequentando o curso de treinamento para uma vaga em banco. Salário bom, cesta básica, vale refeição, e um bom convenio médico. O treinamento é de seis meses e segundo nos contou, bem difícil. Estuda quando chega em casa para se sair bem nas provas mensais. Parece certo que após esse período vai assumir um posto de trabalho no banco. Existe realmente o investimento da Febraban na qualificação profissional dos candidatos especiais. Espero sinceramente que esse programa se estenda ao preparo dos funcionários das empresas que irão acolhe-los. Tenho sempre uma questão quando a inclusão não dá certo: é o especial que não corresponde as tarefas que estão sob a sua responsabilidade, ou são as pessoas que não estão preparadas para conviver com as diferenças?
Raphaela Viggiani Coutinho

sábado, 19 de março de 2011

Esse é meu mundo... Associação Nova Projeto

Costumo dizer que o lugar onde eu trabalho é especial. Eu me sinto privilegiada por essa oportunidade que a vida me oferece todos os dias.

O convívio com jovens com deficiência é uma constante lição de vida. Quem desenvolve trabalho semelhante certamente convive com essa experiência.

Diariamente enfrentamos muitos problemas, mas as recompensas são tão valiosas que nos fazem seguir em frente com uma energia sistematicamente recarregada. O afeto que oferecem é espontâneo desinteressado e nada pedem em troca. O mínimo que se faz é muito valorizado.
Cedo, quando chego para trabalhar, sou recebida por todos com muita alegria como se a minha presença fosse fundamental. Quando atravesso a porta de entrada o clima me envolve. Só vou lembrar dos meus “problemas pessoais” quando termino o meu dia.

Hoje recebi a visita de um jovem que fez o curso de capacitação profissional conosco em 2007. Reside em Osasco e quando fez a capacitação profissional, durante todo o período do curso a mãe teve que trazê-lo.
Não conseguia vir sozinho. A mãe uma senhorinha inesquecível ficava esperando para voltar com ele. Trazia sempre um trabalhinho manual para fazer. Era inverno e fazia cachecóis lindos. Fez um para mim.
Foram três meses de convívio e no final do curso senti falta daquela presença simples e cheia de sabedoria. Dizia que trazia seu filho contra a vontade do marido. O pai não acreditava que um dia ele poderia trabalhar.
Mas a crença da mãe valeu todo o sacrifício. Está trabalhando em um restaurante industrial em Osasco desde que terminou o curso. O pai faleceu e agora o rapaz ajuda a mãe nas despesas da casa.
Acompanhei-o por algum tempo enquanto estava se adaptando ao emprego, fui visitá-lo no trabalho, mas como estava bem não tive mais noticias.


Hoje ele veio sozinho nos visitar. Não precisou da companhia da mãe. Quando chegou, não o reconheci de imediato, a fisionomia não me pareceu estranha e logo lembrei. Não aparenta ser mais aquele jovem que esteve conosco há anos atrás, sempre acompanhado da mãe, magrinho e tímido. Bem vestido, forte, seguro, ainda se expressa com dificuldade e demonstra as limitações que possui. Mudou para melhor.
Sempre fico feliz quando os recebo e exagero nas perguntas. Quis saber como está no serviço, se tem amigos, namorada, se voltou a estudar, noticias da mãe e muito mais.
Em determinado momento interrompeu a conversa e estendeu uma folha de caderno, dobrada com muito cuidado e disse: é para você. Pensei ser algum recado da mãe. Qual não foi minha surpresa ao abrir a folha e ver desenhado com cuidado um sol e em cima escrito o meu nome. Disse: é um presente para você.


Raphaela Viggiani Coutinho
São Paulo 20 de março de 2011


quarta-feira, 16 de março de 2011

Gente como a gente - Associação Nova Projeto

No dia 21 de março de 2011 comemoraremos o Dia Internacional da Pessoa com Síndrome de Down. Durante muitos anos pessoas com essa síndrome foram discriminadas pela sociedade. Eram chamadas de mongolóides de forma depreciativa, por possuírem como uma das características pessoais, os olhos amendoados.
O prognostico de desenvolvimento era desconhecido.
Hoje aos poucos vão ganhando espaços nas escolas, nas atividades culturais, no trabalho e na sociedade. São capazes de fazer escolhas e de escrever suas próprias historias. O preconceito ainda existe, mas com certeza bem menor do que foi há alguns anos.

Tenho refletido sobre o movimento de inclusão da pessoa com deficiência em todos os setores da sociedade.
Defendo e acredito que a sociedade deve ser inclusiva, e que todas as pessoas são iguais, em direitos e deveres.
Acredito também que inclusão da pessoa com deficiência no meio social, já deveria ter acontecido há muito tempo. Contudo, fico apreensiva, na forma impulsiva como em alguns segmentos está sendo tratada.
Penso que deve ser planejada e realizada de maneira cuidadosa e responsável. Abrindo espaços e adequando os ambientes, equipamentos e a comunidade para essa realidade.
Ainda encontramos indivíduos que se afastam e discriminam aqueles que não se enquadram ao padrão de realização da maioria das pessoas.
É o desconhecimento, e a falta reflexão sobre as diferenças individuais. Em uma analise mais profunda poderemos observar que não existem dois indivíduos iguais.
No entanto essa falta de reflexão de forma geral faz com que um movimento contrário a inclusão, atrase ainda mais esse processo.
Por outro lado existem os que estão no outro extremo. Defendem a inclusão das pessoas com deficiência de forma impetuosa e atropelada.
Se por um lado é positiva porque movimenta os diversos setores da sociedade nessa conquista, por outro, corre o risco do exagero, com decisões sem os devidos cuidados.
Tenho também ouvido dizer que quem é contra é porque quer manter velhas estruturas. Isso não é real. O que se defende é que todo esse movimento deve ser feito com cuidado e responsabilidade.
A pessoa com deficiência seja lá qual for a deficiência sempre vai precisar de apoio maior ou menor e por essa razão foram estabelecidos benefícios para auxiliá-las. Os deficientes físicos precisam de acessibilidade para poder ter acesso a escola, ao trabalho, ao atendimento médico e ao lazer. O deficiente visual necessita de apoios concretos em todos os ambientes que freqüenta. Os auditivos também, linguagem de libras, apoios na locomoção, independência no transporte. Os deficientes intelectuais dependendo do grau de deficiência vão precisar de menos ou mais apoio e principalmente estarem cercados de pessoas conscientes que aceitem seus limites e diferenças individuais.
Em fim as pessoas com deficiência dependem da estrutura de acolhimento para que possam exercer seu papel social. Para isso devem ter direito a uma série de benefícios que as auxiliem a ter uma vida digna semelhante a nossa, que nos consideramos pessoas sem deficiência.
(Parte do texto foi publicado em 12/03/2009)

Raphaela Viggiani Coutinho

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cotas para pessoas com necessidades especiais -inclusão no mercado de trabalho - Associação Nova Projeto






A Mariana veio esta tarde nos visitar. Está feliz trabalhando em uma drogaria em São Paulo. Participou do nosso curso de capacitação profissional que terminou no final de 2010. Fez questão de falar com o novo grupo de alunos sobre sua rotina diária no emprego e de como o curso que fez a tem ajudado no trabalho.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Informática para Pessoas com Necessidades Especiais







































Os alunos que frequentam os cursos de capacitação profissional na Associação Nova Projeto uma vez por semana participam de aula de informatica na GS1 Brasil. É um programa que oferece uma formação complementar ao profissional especial. As aulas são ministradas pelos profissionais da empresa. No final das aulas, antes do curso da tarde, os alunos têm direito ao almoço em lanchonete próxima a escola.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Festa Junina- Associação Nova Projeto

Brincadeiras

Casamento caipira



Pescaria


Quadrilha



Que delicia!
Os noivos

Brincadeiras

A Festa Junina da Associação Nova Projeto deste ano foi na Paróquia São João de Brito, Igreja próxima a nossa entidade. O dia estava especial, apesar de já estarmos no inverno, fomos presenteadas com um lindo céu azul e um calorzinho fora de época muito agradável. Fizemos a festa junto com outra instituição do bairro a Interação uma entidade que atende crianças e jovens autistas.O apoio da Pastoral + Vivência foi fundamental para o evento. As famílias foram nossas convidadas. Cada uma contribuiu com um prato de doce, salgado e prendas para as barracas de brincadeiras. A mesa de quitutes estava de dar água na boca. Tanto as brincadeiras como o lanche foi oferecido aos presentes gratuitamente. A festa foi muito animada, tivemos casamento caipira que acabou numa grande quadrilha com a participação dos alunos e professores. Já estava anoitecendo quando a festa terminou.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um amigo especial - Associação Nova Projeto



O Leo veio fazer o curso de capacitação profissional para se preparar para o mercado de trabalho. De familia muito simples traz a determinação que algumas pessoas especiais possuem. Quando garoto sofreu um acidente gravissimo, escapou com vida depois de passar seis meses numa Uti e vários anos em recuperação. Nada do que passou fez com que se tornasse um jovem deprimido ou revoltado. É alegre,afetivo, bricalhão e feliz. Durante o tempo em que esteve conosco deixou um rastro de luz. Atualmente está trabalhando em uma loja de artigos esportivos. Que Deus o proteja