quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Responsabilidade social nas empresas - Associação Nova Projeto



500 maiores empresas desvalorizam a diversidade e descumprem leis que garantem acesso a Pessoa com Deficiência

Pesquisa do Instituto Ethos e IBOPE ( resumo)

Apesar do discurso politicamente correto de valorização da responsabilidade social, parte significativa das 500 maiores empresas brasileiras ignoram completamente a inserção da diversidade entre seus quadros funcionais, fechando os olhos inclusive para o cumprimento de leis que garantem a presença de parte dessa diversidade, como a Lei de Cotas (lei 8.231/91) e a Lei do Aprendiz (lei 10.97/2000). É o que se conclui a partir do relatório “Perfil, Social, Racial e Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e suas Ações Afirmativas”.

Divulgado no último dia 11, o estudo foi elaborado pelo Instituto Ethos e pelo Ibope Inteligência, que tomaram como base os questionários respondidos pelas 500 empresas participantes do ranking da revista Exame.

Tal sub-representação fica ainda mais gritante quando ela é tratada também como desrespeito à Constituição Federal, que proíbe qualquer discriminação para admissão e remuneração em razão de deficiência e garante a reserva de vagas na administração direta e indireta às pessoas com deficiência. Além disso, a Lei de Cotas obriga a empresa com 100 ou mais empregados a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência, habilitadas, na seguinte proporção: até 200 empregados, 2%; de 201 a 500, 3%; de 501 a 1.000, 4%; e acima de 1.000, 5%.

Em relação ao jovem, a Lei do Aprendiz também é ignorada. A lei garante que as grandes e médias empresas contratem um número de aprendizes equivalente a 5%, no mínimo, e 15%, no máximo, dos trabalhadores existentes em cada estabelecimento cujas funções demandem formação profissional específica. O texto legal visa facilitar o ingresso do jovem no mundo do trabalho, como meio de transformar sua realidade pessoal e social.
Não se trata apenas de gerar empregos, mas de permitir a formação profissional do jovem, sem comprometer a empregabilidade e os ganhos futuros.

Mas os empresários fecham os olhos a essa finalidade, já que o relatório demonstra que 43% de empresas contratam menos do que manda a lei.

As respostas demonstram completa ignorância da realidade dos funcionários e do potencial proporcionado pela diversidade. Por exemplo, em resposta a pergunta: “Se a proporção de pessoas com deficiência está abaixo do que deveria, a que atribui?”, 73% respondeu o seguinte: “À falta de qualificação profissional de pessoas com deficiência para os cargos”
Em síntese, respostas como estas demonstram que a responsabilidade social é mais discurso para a mídia do que prática cotidiana na maior parte das 500 maiores empresas brasileiras.

Comentário sobre esta noticia
Algumas entidades especializadas no atendimento de pessoas com deficiência cientes da necessidade de qualificá-las para o trabalho mantêm cursos de capacitação profissional elaborados e coordenados por grupo técnico especializado. É um trabalho pouco divulgado junto às empresas que desconhecem esse movimento e na sua grande maioria quando necessitam cumprir as cotas, procuram essa mão de obra em empresas de colocação profissional. Dessa forma recebem realmente o candidato a vaga sem a devida qualificação para o trabalho.
A Associação Nova Projeto desde 2003 desenvolve programa de capacitação profissional para jovens e adultos com deficiência intelectual através de cursos na área administrativa e do varejo. A pessoa com deficiência como resultado da falta de oportunidades na maioria das vezes está afastada da escola e dos cursos profissionalizantes. Por essa razão mesmo beneficiadas pelas cotas não consegue enfrentar um processo de seleção profissional. Capacitada através de cursos profissionalizantes adquire conhecimentos básicos sobre o mundo do trabalho, sente-se mais segura e com certeza tem maiores chances de ser admitida e cumprir com as funções designadas.

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